sábado, 19 de setembro de 2009


Nada te faltará - Ana Carolina


Pra onde vamos

As vans, carros e bicicletas?

Certezas avessas

Comércio de guerra

Legado de merda
Mais de um bilhão de chineses

Marchando sem deuses

E outros descalços

Fazendo sapatos

Pra nobres e ratos
Sobe do solo

A nuvem de óleo com cheiro

De enxofre queimado

Fudendo com os ares

E outras barbáries
Quero mudança total

Uma idéia genial

A ciência e o amor

A favor do futuro

Quero o claro no escuro
Peço paz aos filhos de abraão

Quero gandhi na melhor versão
E nada vai me faltar, e nada te faltará

E nada vai me faltar, e nada te faltará
Pra onde seguem os barcos?

Os homens, suas trilhas

Seus filhos e filhas

No pau da miséria?

Um pico na artéria
As mulheres pedintes perdidas

Que já quase loucas

Dividem o frio da noite

Com as drags

As mães e os "carregues"
Meninas sangrando na boca

E no meio das pernas

No meio da noite

Tomando cacete

Sem dente, sem leite
Quero respeito

Os humanos direitos

Fazendo pensar os pilares

De uma nova era

Que não seja quimera
Peço paz aos filhos de abraão

Quero gandhi na melhor versão
E nada vai me faltar, e nada te faltará

E nada vai me faltar, e nada te faltará


domingo, 16 de agosto de 2009

Alivio Imediato

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
A Líbia é bombardeada, a libido e o ví­rus
O poder, o pudor, os lábios e o batom (2x)
Que a chuva caia

Como uma luva
Um diluvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alivio imediato
Que a noite caia

De repente caia
Tão demente
Quanto um raio
Que a noite traga
Ali­vio imediato
Há espaço pra todos, há um imenso vazio

Nesse espelho quebrado por alguém que partiu
A noite cai de alturas impossí­veis
E quebra o silencio e parte o coração
Há um muro de concreto entre nossos lábios

Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide, todos se separam
Duas Alemanhas, duas Coreias
Tudo se divide, todos se separam
Que a chuva caia

Como uma luva
Um diluvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alivio imediato
Que a noite caia

De repente caia
Tão demente
Quanto um raio
Que a noite traga
Ali­vio imediato

Engenheiros do Hawai

Soneto do Amor Total


Amo-te tanto, meu amor...não cante

O humano coração com mais verdade...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade

Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente


E de te amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais doque pude.


(Vinícius de Moraes)